«Mapeamento» na RTP<br>repudiado em plenário
Os jornalistas da RTP/TV deliberaram anteontem, em plenário, declarar a perda de confiança da redacção na Direcção de Informação, devido à forma como esta tem actuado na realização do «mapeamento» de pessoal, desencadeado pela Administração. O Conselho de Redacção divulgou a moção que foi colocada à votação, nas redacções de Lisboa e do Porto e nas delegações, tomando posição «contra um processo que terminará inevitavelmente na elaboração de listas de mobilidade por parte da Direcção de Informação de Televisão da RTP, que a Administração promove».
São imputados à Direcção de Informação «os ónus quer da situação presente quer das suas consequências futuras», ainda que os seus membros se assumam como «meros executores de um plano». Na moção assinala-se que «este não é um processo de avaliação, pois não cumpre os requisitos formais» e regista-se que o director de Informação «apresentou a garantia, que lhe foi dada pela Direcção de Recursos Humanos, de que esta classificação não servirá para a execução de listas de despedimentos».
A Direcção de Informação «repetidamente invoca o mérito como medida da sua decisão», mas «aceitou participar num processo ilegítimo e nos antípodas de quaisquer boas práticas de gestão conhecidas». E «esta conduta, desrespeitando a dignidade devida às pessoas, conduziu a que a redacção tenha perdido a confiança na Direcção de Informação».
A moção recebeu um voto contra, 12 abstenções e 63 votos favoráveis.
Ao fim da noite, a Lusa noticiou que também os sete sindicatos que se constituíram em plataforma, na RTP, condenaram o «mapeamento», sublinhando que este «não tem qualquer valor jurídico quanto à manutenção de postos de trabalho». O que está em curso, protestam, num comunicado enviado à agência, «não é uma simples e inócua análise de Recursos Humanos, mas um método discricionário de avaliação de trabalhadores por parte dos seus directores, que culmina numa classificação de trabalhadores que vai desde o “imprescindível” ao “inadequado”». Tal processo «não tem qualquer valor jurídico quanto à manutenção de postos de trabalho na RTP e enferma, desde logo, de manifesta falta de lisura e seriedade».